Evitar algo que nos deixa ansiosos traz alívio imediato. Desmarcar o compromisso, deixar o e-mail difícil para amanhã, não ir à festa, pegar a escada em vez do elevador. O corpo relaxa e a sensação é de ter escapado de um perigo. É justamente esse alívio que torna a evitação tão poderosa e, ao mesmo tempo, tão capaz de manter a ansiedade.
O ciclo da evitação
Quando evitamos uma situação temida, o cérebro aprende duas coisas: que aquela situação era perigosa e que só ficamos bem porque fugimos. Na próxima vez, o medo tende a aparecer mais cedo e mais forte. Aos poucos, o mundo da pessoa vai encolhendo. O que começou com uma situação específica pode se estender para outras parecidas.
A evitação nem sempre é óbvia. Ela pode aparecer de formas sutis:
- Ir ao evento, mas ficar o tempo todo no celular.
- Fazer a apresentação lendo tudo para não correr o risco de esquecer.
- Pedir que alguém sempre acompanhe.
- Distrair-se compulsivamente para não sentir.
- Procurar repetidamente garantias de que vai dar tudo certo.
Esquiva experiencial
A Terapia de Aceitação e Compromisso usa o termo esquiva experiencial para descrever a tentativa de evitar pensamentos, emoções e sensações desconfortáveis. Em doses pequenas, isso é humano. O problema é quando a vida passa a ser organizada em torno de não sentir. A ACT trabalha a aceitação, entendida como disposição de abrir espaço para o desconforto quando isso serve a algo importante. Aceitar não é gostar nem se resignar, é parar de gastar toda a energia numa luta que mantém o problema.
A exposição gradual na TCC
A TCC tem uma longa tradição no tratamento da ansiedade por meio da exposição gradual. Com a psicóloga, a pessoa monta uma sequência de situações, das mais fáceis às mais difíceis, e se aproxima delas aos poucos, observando o que de fato acontece. Com o tempo, muitas pessoas percebem que conseguem tolerar a ansiedade e que as consequências temidas não se confirmam como imaginavam.
Na ACT, essa aproximação ganha um sentido: não é enfrentar o medo por enfrentar, e sim se aproximar daquilo que tem valor para você.
Para refletir
- O que eu tenho evitado por causa da ansiedade?
- O que a evitação me dá no curto prazo? E o que ela me custa no longo prazo?
- Qual seria um pequeno passo possível na direção do que eu evito?
Quando procurar ajuda
Se a evitação tem limitado sua vida, seus relacionamentos ou suas escolhas profissionais, a psicoterapia pode ajudar a planejar esse caminho de volta com segurança, no seu ritmo e com acompanhamento.
Perguntas frequentes
Evitar é sempre ruim?
Não. Evitar perigos reais é saudável. A questão é quando a evitação acontece diante de situações que não são perigosas e passa a limitar a vida.
Exposição significa enfrentar o pior medo de uma vez?
Não. Na psicoterapia, a exposição é gradual e combinada com a pessoa, começando por passos possíveis.
Quer conversar sobre terapia?
Envie uma mensagem para Mariana Amorim dos Santos, psicóloga CRP 16/3182.
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