Muitas pessoas descrevem a relação com a liderança como um dos fatores que mais influenciam sua experiência no trabalho. Uma mesma meta pode ser vivida como desafio estimulante ou como ameaça constante, dependendo de como é comunicada, acompanhada e reconhecida. Por isso, gestoras e gestores ocupam um lugar central na saúde emocional das equipes.
Liderar não é ser terapeuta
Cuidar da saúde emocional da equipe não significa que a liderança deva diagnosticar, tratar ou resolver o sofrimento das pessoas. Significa organizar o trabalho de forma mais saudável, perceber sinais de alerta, acolher com respeito e saber encaminhar para apoio especializado quando necessário.
Sinais que merecem atenção
- Mudanças bruscas de comportamento, como isolamento ou irritação frequente.
- Queda de desempenho em alguém que costumava ir bem.
- Atrasos, faltas ou trabalho excessivo fora do horário.
- Falas recorrentes de cansaço, desânimo ou falta de sentido.
- Conflitos repetidos dentro da equipe.
Esses sinais não indicam, por si só, um problema de saúde mental. Eles indicam que vale a pena conversar.
Atitudes práticas de uma liderança cuidadosa
- Clareza: combinar prioridades, prazos e expectativas de forma explícita.
- Conversas individuais regulares: abrir espaço para falar do trabalho e de como a pessoa está.
- Escuta sem julgamento: perguntar e ouvir antes de propor soluções.
- Reconhecimento: notar e nomear contribuições, não apenas erros.
- Exemplo: respeitar limites de horário e descanso, inclusive os próprios.
- Encaminhamento: conhecer os canais de apoio da empresa e indicar quando for o caso.
Contribuições da ACT e da TCC
A ACT ajuda lideranças a desenvolver flexibilidade psicológica: tomar decisões difíceis sob pressão sem agir no piloto automático e manter-se conectadas aos valores que querem expressar como gestoras e gestores. A TCC oferece ferramentas para perceber interpretações automáticas, por exemplo "ele não respondeu porque não se importa", e testar leituras mais equilibradas antes de reagir.
Quem cuida de quem cuida
Lideranças também sofrem pressão de cima e de baixo. Programas de desenvolvimento que olham para a saúde emocional de gestoras e gestores, e não apenas para resultados, tendem a beneficiar toda a cadeia. Uma liderança sobrecarregada dificilmente consegue sustentar um ambiente saudável para a equipe.
Perguntas frequentes
Como abordar alguém da equipe que parece estar mal?
De forma reservada, com respeito, descrevendo o que você percebeu sem rotular. Pergunte como a pessoa está e o que pode ajudar. Se for o caso, indique os canais de apoio disponíveis.
Treinamentos para lideranças ajudam?
Podem ajudar, especialmente quando são práticos, conectados à realidade da empresa e acompanhados de outras ações, como revisão de processos e metas.
Quer levar esse tema para a sua empresa?
Mariana Amorim realiza palestras, workshops e rodas de conversa sobre saúde emocional no trabalho, com base em ACT, TCC e Gestão de Pessoas.
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